Rodoviários do Rio rejeitaram a proposta de reajuste salarial apresentada pelo sindicato patronal e decidiram manter a greve, iniciada na madrugada desta quinta-feira. A decisão foi tomada em assembleia realizada na noite de quarta-feira, na sede do sindicato da categoria. A paralisação afeta diretamente a mobilidade urbana da capital fluminense, com reflexos em toda a região metropolitana.
A categoria reivindica aumento salarial, melhores condições de trabalho e manutenção de benefícios. A proposta rejeitada previa reajuste de 4,5%, abaixo dos 12% exigidos pelos trabalhadores. Em assembleia, 78% dos presentes votaram pela manutenção da greve. O Sindicato dos Rodoviários do Rio informou que a paralisação é por tempo indeterminado.
Por que os rodoviários rejeitaram a proposta?
A proposta patronal foi considerada insuficiente pela categoria. O reajuste de 4,5% ficou abaixo da inflação acumulada em 12 meses, que, segundo o IBGE, encerrou maio em 4,2%. Para os rodoviários, o ganho real seria praticamente nulo. Além do reajuste, a categoria cobrava a manutenção do tíquete-refeição e do plano de saúde, itens que a proposta não garantia integralmente.
Outro ponto de discordância foi o vale-refeição. A proposta patronal oferecia reajuste de 3% no benefício, enquanto os rodoviários pediam 10%. O Sindicato das Empresas de Ônibus do Rio (Rio Ônibus) afirmou que a proposta era a possível diante da crise financeira do setor. A categoria, no entanto, considerou a oferta desrespeitosa.
Impactos imediatos da greve no Rio
A greve dos rodoviários paralisou toda a frota de ônibus municipais e intermunicipais que circula na cidade do Rio e em municípios vizinhos. Na manhã desta quinta, terminais como a Rodoviária Novo Rio e estações do BRT amanheceram vazios. A prefeitura do Rio decretou ponto facultativo em repartições públicas e suspendeu a cobrança de pedágio em vias municipais para tentar minimizar os transtornos.
Passageiros enfrentam dificuldades para se locomover. Alternativas como metrô, trem e barcas operam com reforço, mas a demanda superou a capacidade. O sistema de transporte complementar, como vans e mototáxis, registrou aumento de preços.
O que dizem os sindicatos?
O Sindicato dos Rodoviários do Rio afirmou que a greve é legítima e que a categoria não aceitará proposta que não reponha as perdas salariais dos últimos anos. Em nota, a entidade disse que a paralisação continuará até que haja uma contraproposta que atenda às reivindicações.
A Rio Ônibus, por sua vez, classificou a greve como precipitada e disse que a proposta oferecida era a melhor possível. A entidade patronal afirmou que as empresas enfrentam queda de passageiros e aumento de custos, e que o reajuste pedido pelos rodoviários inviabilizaria o sistema.
O que pode acontecer a seguir?
A expectativa é de que novas rodadas de negociação ocorram nos próximos dias. O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) pode ser acionado para mediar o conflito. Em greves anteriores, a Justiça do Trabalho estabeleceu multas diárias em caso de descumprimento de decisões liminares.
Caso a greve se prolongue, a prefeitura do Rio estuda a possibilidade de contratar serviços emergenciais de transporte. A Defesa Civil municipal já foi acionada para avaliar impactos na saúde e na educação.
Perguntas Frequentes
A greve dos rodoviários é por tempo indeterminado?
Sim. A assembleia decidiu pela manutenção da greve por tempo indeterminado até que haja uma nova proposta.
Quantos rodoviários aderiram à greve?
O Sindicato dos Rodoviários estima que 95% da categoria tenha aderido à paralisação, mas o número exato depende de balanço oficial.
O metrô e o trem funcionam normalmente?
Sim. Metrô, trem e barcas operam com horários normais, mas com reforço na frota para atender à demanda.
A prefeitura pode multar as empresas de ônibus?
Sim. A prefeitura pode aplicar multas com base em contratos de concessão, caso as empresas descumpram a obrigação de manter a frota mínima.
Quando será a próxima assembleia?
Ainda não há data definida. O Sindicato dos Rodoviários deve convocar nova assembleia após eventual contraproposta patronal.
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