Presos de PE fingem integrar facção para aplicar golpe do amor
Presos em Pernambuco criam perfis falsos em redes sociais, fingem integrar facção criminosa e aplicam o golpe do amor em mulheres de vários estados. A Polícia Civil investiga o esquema, que combina estelionato sentimental com ameaças veladas.
O golpe do amor aplicado por presos em Pernambuco segue um roteiro conhecido. Eles se passam por homens bem-sucedidos, iniciam um relacionamento virtual e, depois de conquistar a confiança da vítima, pedem dinheiro. A novidade é o uso da suposta filiação a uma facção criminosa como elemento de pressão.
Como funciona o golpe do amor com facção criminosa
O esquema começa com a criação de um perfil falso em aplicativos de relacionamento ou redes sociais. O preso se apresenta como um empresário, profissional liberal ou militar. Após semanas de conversa, ele revela que está em perigo por ter se envolvido com uma facção.
A partir daí, os pedidos de dinheiro começam. A vítima é convencida de que precisa pagar por proteção, fugas ou advogados. O medo de que o parceiro sofra represálias faz com que muitas mulheres acreditem na história.
Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, os presos usam celulares contrabandeados para dentro das unidades prisionais para aplicar o golpe. As investigações indicam que as vítimas são de diferentes estados, o que dificulta a atuação policial.
Quem são as vítimas do golpe do amor em PE
As vítimas são, em sua maioria, mulheres acima de 30 anos, solteiras ou divorciadas, que buscam um relacionamento sério. Elas são abordadas em aplicativos como Tinder, Facebook e Instagram.
O perfil do golpista é cuidadosamente construído. As fotos são roubadas de perfis reais de homens atraentes. As conversas são longas e envolventes, com promessas de futuro juntos. Quando a vítima demonstra dúvidas, o golpista apela para o drama da suposta perseguição pela facção.
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, contou à polícia que transferiu mais de R$ 5 mil para o preso antes de desconfiar. Ela diz que o golpista pedia dinheiro para pagar "a dívida com a facção" e que, se não pagasse, seria morto.
Como a Polícia Civil investiga o esquema
A Polícia Civil de Pernambuco abriu inquérito para investigar o golpe. As investigações incluem a identificação dos perfis falsos e o rastreamento das transferências bancárias.
A polícia também trabalha com a hipótese de que os presos tenham cúmplices fora da prisão, que recebem o dinheiro e repassam para os detentos. A dificuldade é que as contas usadas são de laranjas, muitas vezes pessoas que também foram vítimas de outros golpes.
Até o momento, a polícia não divulgou o número de presos envolvidos ou o valor total movimentado pelo esquema. As investigações continuam em sigilo.
Como se proteger do golpe do amor
A principal recomendação da Polícia Civil é desconfiar de pedidos de dinheiro feitos por pessoas que você nunca viu pessoalmente. Golpistas costumam criar histórias dramáticas para gerar comoção e pressa.
Alguns sinais de alerta:
- Perfil com fotos muito bonitas e poucos amigos em comum.
- A pessoa evita videochamadas ou encontros presenciais.
- Pedidos de dinheiro para emergências, como doenças, acidentes ou perseguições.
- Histórias que mudam com frequência ou são inconsistentes.
A polícia orienta que, em caso de suspeita, a vítima não faça novas transferências e registre um boletim de ocorrência. Quanto mais rápido a denúncia, maiores as chances de rastrear o dinheiro.
O que diz a lei sobre estelionato sentimental
O estelionato sentimental é enquadrado como estelionato, crime previsto no artigo 171 do Código Penal. A pena é de 1 a 5 anos de reclusão, além de multa. Se o crime é cometido por alguém que está preso, a pena pode ser aumentada.
A Justiça de Pernambuco já condenou presos por esse tipo de golpe. Em 2024, um detento foi sentenciado a 4 anos de prisão por aplicar o golpe do amor em três mulheres diferentes.
Perguntas Frequentes
O que é o golpe do amor?
É um tipo de estelionato em que o criminoso finge estar apaixonado para pedir dinheiro à vítima.
Como os presos aplicam o golpe?
Eles usam celulares contrabandeados para criar perfis falsos em redes sociais e aplicativos de relacionamento.
O que fazer se eu for vítima?
Registre um boletim de ocorrência e não faça novas transferências. Guarde prints das conversas e comprovantes de pagamento.
A polícia já prendeu alguém?
Sim, a Polícia Civil de Pernambuco investiga o esquema e já identificou alguns envolvidos.
Como denunciar?
Ligue para o 190 ou vá até a delegacia mais próxima. Também é possível denunciar pelo site da Polícia Civil de Pernambuco.
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