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Rodoviários do Rio: nova audiência com patrões na segunda-feira

ResumoRodoviários do Rio de Janeiro realizam nova audiência com patrões na segunda-feira para negociar reajuste salarial e benefícios. A pauta inclui reposição da inflação, vale-refeição e condições de trabalho. O histórico das negociações mostra impasses anteriores, com greves e paralisações. A expectativa é de avanço no acordo, mas sem garantia de consenso imediato.

Rodoviários do Rio terão nova audiência com patrões na segunda-feira para tentar acordo salarial. Entenda os pontos da pauta, o histórico das negociações e as perspectivas para o setor.

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Rodoviários do Rio: nova audiência com patrões na segunda-feira
Rodoviários do Rio: nova audiência com patrões na segunda-feiraFoto: Reprodução · Catavento

Rodoviários do Rio terão nova audiência com patrões na segunda-feira

Rodoviários do Rio e patrões voltam a se reunir na segunda-feira em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região. Em pauta, reajuste salarial, vale-alimentação e condições de trabalho. A categoria reivindica 15% de aumento; os patrões oferecem 8%. Sem acordo, greve pode ser deflagrada.

O que está em jogo na nova audiência

A pauta principal da audiência é o reajuste salarial. Os rodoviários pedem 15% de aumento, percentual que, segundo o sindicato, reporia as perdas inflacionárias acumuladas desde o último acordo. Os patrões, representados pelo Rio Ônibus, oferecem 8%, com base em dados de custos operacionais e receitas do sistema.

Além do salário, a negociação inclui o vale-alimentação. A categoria quer reajuste de 20% no benefício, hoje em R$ 450 mensais. O Rio Ônibus propõe 10% de correção. Em 2025, o vale-alimentação dos rodoviários era de R$ 400 (Rio Ônibus, relatório anual, 2025).

Histórico das negociações

As negociações entre rodoviários e patrões se arrastam desde março de 2026. Em abril, duas audiências no TRT-RJ terminaram sem acordo. A categoria aprovou estado de greve em 2 de maio, após assembleia que reuniu 3 mil trabalhadores no Centro do Rio (Sindicato dos Rodoviários do Rio, assembleia, 02/05/2026).

Em 2025, o último acordo fechou em 7% de reajuste salarial, abaixo da inflação de 9,2% medida pelo IPCA naquele ano (IBGE, IPCA 2025, jan/2026). Esse descompasso histórico alimenta a insatisfação da categoria.

Os argumentos dos patrões

O Rio Ônibus alega que o sistema enfrenta queda de passageiros desde 2020. Segundo a empresa, o número de usuários caiu 18% entre 2020 e 2025, de 1,2 bilhão para 984 milhões de passageiros/ano (Rio Ônibus, balanço operacional, 2025). A receita do sistema, em 2025, foi de R$ 4,2 bilhões, com custos operacionais de R$ 3,9 bilhões, margem apertada de 7%.

Os patrões também apontam que a folha de pagamento já consome 52% da receita. Um reajuste de 15% elevaria esse percentual para 58%, inviabilizando o sistema sem subsídios adicionais da prefeitura subsídios transporte público Rio.

O que a categoria reivindica

O Sindicato dos Rodoviários do Rio sustenta que a inflação real do período foi maior que a oficial. O DIEESE calcula que o custo de vida dos trabalhadores subiu 13,2% nos últimos 12 meses, puxado por alimentação e transporte (DIEESE, custo de vida, mai/2026).

A categoria também pede:

  • Fim da jornada 6x1 (seis dias de trabalho por um de folga)
  • Plano de saúde para familiares
  • Garantia de pagamento de horas extras

A jornada 6x1 é um ponto sensível: vigora desde 2018, quando foi aprovada em convenção coletiva. Os rodoviários alegam que a carga excessiva aumenta o risco de acidentes e adoecimento.

O papel do TRT e da mediação

A audiência de segunda-feira será mediada pelo desembargador José Carlos de Oliveira, do TRT da 1ª Região. Oliveira já mediou acordos em greves de metroviários em 2024 e de professores em 2025. O tribunal tem poder de arbitragem: se não houver acordo, pode impor uma solução, mas prefere a negociação direta.

Em 2025, o TRT-RJ mediou 34 dissídios coletivos, com acordo em 27 deles (79%) (TRT da 1ª Região, relatório de mediação, 2025). A estatística sugere que a chance de acordo é alta, mas o prazo é curto.

Cenários possíveis após a audiência

Três cenários são possíveis:

  1. Acordo fechado na audiência: reajuste entre 10% e 12%, com vale-alimentação corrigido em 15%. É o resultado mais provável, segundo analistas.
  2. Nova rodada de negociação: as partes pedem mais tempo, e a audiência é remarcada para junho. A greve fica suspensa.
  3. Greve: se a categoria rejeitar a proposta patronal, a paralisação pode começar já na terça-feira. Uma greve de rodoviários no Rio, em 2024, durou 5 dias e causou prejuízo de R$ 200 milhões à economia (Fecomércio-RJ, impacto greve, 2024).

Impactos para o usuário do transporte

Se a greve ocorrer, 4,5 milhões de passageiros que usam ônibus municipais no Rio ficarão sem transporte (Secretaria Municipal de Transportes do Rio, dados operacionais, 2025). A prefeitura já anunciou que vai reforçar o BRT e o metrô em caso de paralisação.

Para quem depende do ônibus, a recomendação é planejar rotas alternativas e acompanhar os canais oficiais do sindicato e da prefeitura.

Perguntas Frequentes

Qual é o principal ponto de divergência na negociação?

O reajuste salarial: os rodoviários pedem 15%, os patrões oferecem 8%.

Quando será a próxima audiência?

Na segunda-feira, no TRT da 1ª Região, no Centro do Rio.

O que acontece se não houver acordo?

A categoria pode deflagrar greve, que afetaria 4,5 milhões de passageiros.

A greve de rodoviários é legal?

Sim, desde que aprovada em assembleia e comunicada com 72 horas de antecedência. A categoria já aprovou estado de greve.

Quanto os rodoviários ganham atualmente?

O piso salarial é de R$ 2.800 para jornada de 6x1, com vale-alimentação de R$ 450.

O que o TRT pode fazer?

Mediar o acordo ou, em último caso, arbitrar uma solução que vale para ambas as partes.

Como o usuário pode se preparar?

Acompanhar os comunicados do sindicato e da prefeitura, e planejar rotas alternativas de transporte.

Otávio Reinhardt Maia
Sobre o autor · Crítico de Cinema de Gênero

Defensor do terror, sci-fi e cult, leva a sério o que a crítica esnoba.

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