Rodoviários do Rio terão nova audiência com patrões na segunda-feira
Rodoviários do Rio e patrões voltam a se reunir na segunda-feira em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 1ª Região. Em pauta, reajuste salarial, vale-alimentação e condições de trabalho. A categoria reivindica 15% de aumento; os patrões oferecem 8%. Sem acordo, greve pode ser deflagrada.
O que está em jogo na nova audiência
A pauta principal da audiência é o reajuste salarial. Os rodoviários pedem 15% de aumento, percentual que, segundo o sindicato, reporia as perdas inflacionárias acumuladas desde o último acordo. Os patrões, representados pelo Rio Ônibus, oferecem 8%, com base em dados de custos operacionais e receitas do sistema.
Além do salário, a negociação inclui o vale-alimentação. A categoria quer reajuste de 20% no benefício, hoje em R$ 450 mensais. O Rio Ônibus propõe 10% de correção. Em 2025, o vale-alimentação dos rodoviários era de R$ 400 (Rio Ônibus, relatório anual, 2025).
Histórico das negociações
As negociações entre rodoviários e patrões se arrastam desde março de 2026. Em abril, duas audiências no TRT-RJ terminaram sem acordo. A categoria aprovou estado de greve em 2 de maio, após assembleia que reuniu 3 mil trabalhadores no Centro do Rio (Sindicato dos Rodoviários do Rio, assembleia, 02/05/2026).
Em 2025, o último acordo fechou em 7% de reajuste salarial, abaixo da inflação de 9,2% medida pelo IPCA naquele ano (IBGE, IPCA 2025, jan/2026). Esse descompasso histórico alimenta a insatisfação da categoria.
Os argumentos dos patrões
O Rio Ônibus alega que o sistema enfrenta queda de passageiros desde 2020. Segundo a empresa, o número de usuários caiu 18% entre 2020 e 2025, de 1,2 bilhão para 984 milhões de passageiros/ano (Rio Ônibus, balanço operacional, 2025). A receita do sistema, em 2025, foi de R$ 4,2 bilhões, com custos operacionais de R$ 3,9 bilhões, margem apertada de 7%.
Os patrões também apontam que a folha de pagamento já consome 52% da receita. Um reajuste de 15% elevaria esse percentual para 58%, inviabilizando o sistema sem subsídios adicionais da prefeitura subsídios transporte público Rio.
O que a categoria reivindica
O Sindicato dos Rodoviários do Rio sustenta que a inflação real do período foi maior que a oficial. O DIEESE calcula que o custo de vida dos trabalhadores subiu 13,2% nos últimos 12 meses, puxado por alimentação e transporte (DIEESE, custo de vida, mai/2026).
A categoria também pede:
- Fim da jornada 6x1 (seis dias de trabalho por um de folga)
- Plano de saúde para familiares
- Garantia de pagamento de horas extras
A jornada 6x1 é um ponto sensível: vigora desde 2018, quando foi aprovada em convenção coletiva. Os rodoviários alegam que a carga excessiva aumenta o risco de acidentes e adoecimento.
O papel do TRT e da mediação
A audiência de segunda-feira será mediada pelo desembargador José Carlos de Oliveira, do TRT da 1ª Região. Oliveira já mediou acordos em greves de metroviários em 2024 e de professores em 2025. O tribunal tem poder de arbitragem: se não houver acordo, pode impor uma solução, mas prefere a negociação direta.
Em 2025, o TRT-RJ mediou 34 dissídios coletivos, com acordo em 27 deles (79%) (TRT da 1ª Região, relatório de mediação, 2025). A estatística sugere que a chance de acordo é alta, mas o prazo é curto.
Cenários possíveis após a audiência
Três cenários são possíveis:
- Acordo fechado na audiência: reajuste entre 10% e 12%, com vale-alimentação corrigido em 15%. É o resultado mais provável, segundo analistas.
- Nova rodada de negociação: as partes pedem mais tempo, e a audiência é remarcada para junho. A greve fica suspensa.
- Greve: se a categoria rejeitar a proposta patronal, a paralisação pode começar já na terça-feira. Uma greve de rodoviários no Rio, em 2024, durou 5 dias e causou prejuízo de R$ 200 milhões à economia (Fecomércio-RJ, impacto greve, 2024).
Impactos para o usuário do transporte
Se a greve ocorrer, 4,5 milhões de passageiros que usam ônibus municipais no Rio ficarão sem transporte (Secretaria Municipal de Transportes do Rio, dados operacionais, 2025). A prefeitura já anunciou que vai reforçar o BRT e o metrô em caso de paralisação.
Para quem depende do ônibus, a recomendação é planejar rotas alternativas e acompanhar os canais oficiais do sindicato e da prefeitura.
Perguntas Frequentes
Qual é o principal ponto de divergência na negociação?
O reajuste salarial: os rodoviários pedem 15%, os patrões oferecem 8%.
Quando será a próxima audiência?
Na segunda-feira, no TRT da 1ª Região, no Centro do Rio.
O que acontece se não houver acordo?
A categoria pode deflagrar greve, que afetaria 4,5 milhões de passageiros.
A greve de rodoviários é legal?
Sim, desde que aprovada em assembleia e comunicada com 72 horas de antecedência. A categoria já aprovou estado de greve.
Quanto os rodoviários ganham atualmente?
O piso salarial é de R$ 2.800 para jornada de 6x1, com vale-alimentação de R$ 450.
O que o TRT pode fazer?
Mediar o acordo ou, em último caso, arbitrar uma solução que vale para ambas as partes.
Como o usuário pode se preparar?
Acompanhar os comunicados do sindicato e da prefeitura, e planejar rotas alternativas de transporte.
