Rodoviários do Rio participam de audiência de conciliação
Rodoviários do Rio participam de audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) para tentar um acordo com as empresas de ônibus. A categoria, que já paralisou atividades em maio, busca reajuste salarial, melhores condições de trabalho e o fim de escalas que, segundo o sindicato, comprometem a segurança de motoristas e cobradores.
A audiência de conciliação reúne representantes do Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro e do Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus), com mediação do desembargador relator. O encontro ocorre na sede do TRT, no centro da cidade.
O que está em jogo na pauta dos rodoviários
A principal reivindicação é o reajuste salarial. Os rodoviários pedem correção que reponha as perdas inflacionárias dos últimos 12 meses. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam que o INPC acumulado no período supera os 4%. A proposta patronal inicial ficou abaixo desse índice.
Outro ponto central é o vale-refeição. A categoria pede aumento no valor do ticket, que hoje é de R$ 25 por dia, para algo próximo de R$ 35. As empresas oferecem reajuste de 8%, o que elevaria o valor a R$ 27. A diferença ainda separa as partes.
Escalas extras e descanso
Os rodoviários também exigem o fim das escalas extras obrigatórias, que estendem a jornada de trabalho sem aviso prévio. O sindicato alega que essas escalas colocam em risco a saúde dos trabalhadores e a segurança dos passageiros. A legislação trabalhista prevê descanso mínimo de 11 horas entre jornadas, mas a categoria denuncia que, na prática, esse intervalo é desrespeitado em algumas empresas.
O papel do TRT na conciliação
O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região atua como mediador em audiências de conciliação coletivas. A ideia é evitar que o dissídio vá a julgamento, o que pode levar meses. Se não houver acordo, o tribunal pode fixar um reajuste por sentença normativa, que vale para toda a categoria.
O desembargador relator ouve as partes e propõe termos intermediários. Em audiências anteriores, o TRT já sugeriu reajuste escalonado e manutenção de benefícios. A expectativa é que a mediação avance nesta rodada.
Histórico de greves e mobilizações
Em maio de 2026, os rodoviários paralisaram parte da frota por 48 horas. A greve afetou linhas de bairros da zona norte e da baixada fluminense. Segundo o Sindicato dos Rodoviários, a adesão foi de 80% da categoria. As empresas, no entanto, afirmam que a paralisação foi menor e que 60% dos ônibus circularam.
Desde então, as negociações avançaram em pontos como segurança nos terminais e fornecimento de uniformes, mas o reajuste salarial segue como impasse. A audiência de conciliação de junho é vista como a última chance de acordo antes de uma nova greve, prevista para julho.
O que muda para o passageiro
Se não houver acordo, o usuário do transporte público pode enfrentar novas paralisações. A Prefeitura do Rio já sinalizou que, em caso de greve, vai exigir frota mínima de 70% nos horários de pico, como determina a lei. Mas a experiência de maio mostrou que, mesmo com a determinação, muitas linhas ficaram com intervalos superiores a 40 minutos.
O impacto financeiro também preocupa. Se o reajuste salarial for integralmente repassado às tarifas, a passagem de ônibus pode subir dos atuais R$ 4,30 para R$ 4,70, segundo estimativas do setor. A Rio Ônibus alega que a margem de lucro das empresas é estreita e que qualquer aumento de custo pressiona a tarifa.
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Perguntas Frequentes
O que é uma audiência de conciliação no TRT?
É uma reunião mediada por um desembargador trabalhista em que sindicato e empresas tentam chegar a um acordo antes de o caso ser julgado. Se não houver acordo, o tribunal decide por sentença normativa.
Quais são as principais reivindicações dos rodoviários?
Reajuste salarial, aumento do vale-refeição, fim das escalas extras obrigatórias e melhores condições de trabalho nos terminais.
A greve pode acontecer de novo?
Sim. Se a audiência de conciliação não resultar em acordo, o sindicato pode deflagrar nova greve. A data provável é julho de 2026.
O que acontece com o passageiro durante a greve?
A lei exige frota mínima de 70% nos horários de pico. Na prática, os intervalos entre ônibus aumentam e algumas linhas deixam de circular.
Quanto tempo dura uma audiência de conciliação?
Não há prazo fixo. Cada sessão pode durar de uma a quatro horas. Se não houver acordo, novas audiências são marcadas.
A tarifa de ônibus vai subir?
Depende do acordo. Se o reajuste salarial for alto, as empresas podem pedir aumento da tarifa. A Prefeitura do Rio precisa autorizar qualquer reajuste.
