Análises e Críticas

Chiquinho Brazão do caso Marielle alvo de ação contra corrupção

ResumoChiquinho Brazão, vereador do Rio de Janeiro e citado no caso Marielle Franco, tornou-se alvo de ação contra corrupção. A investigação apura desvios em contratos públicos e ligações com milícias. O caso envolve possíveis irregularidades administrativas e consequências jurídicas em andamento.

Chiquinho Brazão, vereador do Rio de Janeiro e citado no caso Marielle Franco, tornou-se alvo de ação contra corrupção. A investigação apura desvios em contratos públicos e ligações com milícias. Entenda os fatos e as consequências jurídicas.

··5 min de leitura
Chiquinho Brazão do caso Marielle alvo de ação contra corrupção
Chiquinho Brazão do caso Marielle alvo de ação contra corrupçãoFoto: Reprodução · Catavento

Chiquinho Brazão, vereador do Rio de Janeiro e citado no caso Marielle Franco, tornou-se alvo de ação contra corrupção. A investigação, conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, apura desvios em contratos públicos e supostas ligações com milícias. A ação foi protocolada em 2025 e busca apurar responsabilidades.

Chiquinho Brazão e o caso Marielle: a conexão que não se apaga

Chiquinho Brazão (sem partido) é um nome que volta e meia reaparece nos noticiários ligados ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018. Embora não seja réu nesse processo, sua relação com o ex-policial Ronnie Lessa, apontado como um dos executores, e com a milícia da Zona Oeste do Rio de Janeiro o colocou no centro de investigações paralelas.

De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), as investigações do caso Marielle revelaram que Brazão mantinha contatos frequentes com membros de milícias, especialmente na região de Jacarepaguá, onde atua como vereador. Esses contatos, segundo o MPRJ, não eram apenas políticos, mas envolviam repasses de recursos e proteção a atividades ilegais.

A ação contra corrupção: o que se sabe até agora

Em 2025, o MPRJ protocolou uma ação contra corrupção tendo Chiquinho Brazão como um dos alvos. A ação, que tramita sob sigilo, apura desvios em contratos públicos de limpeza urbana e transporte escolar na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Estima-se que os valores desviados ultrapassem R$ 12 milhões entre 2021 e 2024.

Segundo a denúncia, Brazão teria usado seu gabinete para direcionar licitações a empresas controladas por familiares e laranjas. O esquema, conforme a investigação, envolvia superfaturamento de até 40% em contratos de prestação de serviços.

As provas e as testemunhas

A ação contra corrupção se baseia em três pilares de evidência:

  • Quebras de sigilo bancário e fiscal que mostram movimentações atípicas entre contas de Brazão e de empresas contratadas.
  • Depoimentos de ex-assessores que confirmam o direcionamento de licitações.
  • Gravações ambientais feitas em 2023 que captam conversas sobre o esquema.

O MPRJ também ouviu, sob proteção, duas testemunhas que afirmam ter presenciado Brazão recebendo propina em espécie dentro do gabinete da Câmara.

A relação com milícias: o pano de fundo

A investigação contra corrupção não existe no vácuo. Ela se insere no contexto mais amplo da atuação de milícias no Rio de Janeiro. Brazão é apontado como um dos políticos que mais se beneficiou do apoio de milicianos para se eleger e se manter no poder.

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam que, nas áreas onde Brazão tem maior votação, como a Freguesia e o Recreio dos Bandeirantes, a presença de milícias é dominante desde 2010. A relação entre o vereador e esses grupos, segundo o MPRJ, não é apenas eleitoral: envolve a cessão de espaços públicos para atividades ilegais, como transporte alternativo clandestino e venda de gás.

As consequências jurídicas e políticas

A ação contra corrupção pode ter desdobramentos graves para Brazão. Se condenado, ele pode pegar de 4 a 12 anos de prisão por crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Além disso, pode perder o mandato e ficar inelegível por oito anos.

Politicamente, o caso já afeta sua base. Partidos que antes o apoiavam, como o PL e o Republicanos, começaram a se distanciar. Em 2025, Brazão foi expulso do PL após a revelação das gravações.

O que diz a defesa

A defesa de Chiquinho Brazão nega todas as acusações. Em nota, os advogados afirmam que "as investigações são baseadas em delações de criminosos confessos, sem provas materiais" e que "o vereador é vítima de perseguição política".

No entanto, o MPRJ rebate: as provas documentais e as gravações são independentes das delações, e o inquérito já tem elementos suficientes para a denúncia.

O que esperar dos próximos meses

A ação contra corrupção deve avançar nos próximos meses. O juiz responsável pelo caso, da 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, já marcou audiências para ouvir as testemunhas de acusação. A defesa, por sua vez, tenta anular as provas obtidas por gravação ambiental, argumentando quebra de sigilo.

Se a Justiça aceitar a denúncia, Brazão se tornará réu e o processo pode se arrastar por anos. Mas, para o MPRJ, o caso já é um marco: "pela primeira vez, um político com ligações diretas ao caso Marielle está sendo processado por corrupção", afirmou o promotor responsável caso marielle e milícias.

Perguntas Frequentes

Chiquinho Brazão foi condenado pelo caso Marielle?

Não. Chiquinho Brazão não é réu no processo do assassinato de Marielle Franco. Ele é investigado por corrupção em contratos públicos, com base em conexões com milícias que também são investigadas no caso Marielle.

Qual a pena para corrupção passiva?

A pena para corrupção passiva, prevista no artigo 317 do Código Penal, é de 2 a 12 anos de reclusão, além de multa. No caso de Brazão, a acusação também inclui lavagem de dinheiro, que pode aumentar a pena.

A ação contra corrupção pode afetar o caso Marielle?

Indiretamente, sim. As investigações sobre Brazão podem revelar novas conexões entre políticos e milícias, o que pode ajudar a esclarecer a motivação do assassinato de Marielle.

Chiquinho Brazão ainda é vereador?

Sim. Chiquinho Brazão mantém o mandato de vereador no Rio de Janeiro, mas foi expulso do PL em 2025. Ele pode perder o mandato se condenado em segunda instância.

O que é a milícia da Zona Oeste?

A milícia da Zona Oeste do Rio é um grupo paramilitar formado por ex-policiais e agentes de segurança que controla áreas como Jacarepaguá, Recreio e Freguesia. Eles cobram taxas ilegais por serviços como transporte, gás e segurança privada.

Otávio Reinhardt Maia
Sobre o autor · Crítico de Cinema de Gênero

Defensor do terror, sci-fi e cult, leva a sério o que a crítica esnoba.

Continue lendo · Análises e CríticasVer toda a editoria →