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Camelôs protestam contra programa da prefeitura no Rio: o que mudou

ResumoCamelôs do Rio de Janeiro protestaram contra o programa de ordenamento urbano da prefeitura, reivindicando diálogo e condições dignas de trabalho. O conflito histórico envolve a remoção de vendedores ambulantes de áreas centrais. A prefeitura propõe alternativas como cadastramento e realocação para espaços regulamentados, mas os camelôs questionam a falta de participação nas decisões.

Camelôs protestam contra programa da prefeitura no Rio, reivindicando diálogo e condições dignas de trabalho. Entenda os motivos, o histórico do conflito e o que a prefeitura propõe como alternativa.

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Camelôs protestam contra programa da prefeitura no Rio: o que mudou
Camelôs protestam contra programa da prefeitura no Rio: o que mudouFoto: Reprodução · Catavento

Camelôs protestam contra programa da prefeitura no Rio

Eu estava ali, na esquina da Presidente Vargas com a Rio Branco, quando o buzinaço começou. Não era trânsito, era o som de uma categoria que se recusa a ser apagada do mapa. Camelôs protestam contra programa da prefeitura no Rio desde o anúncio do pacote de ordenamento urbano, em maio. O programa prevê a remoção de barracas irregulares do Centro e a criação de um cadastro obrigatório para ambulantes. O que parece uma medida de organização para uns, para outros soa como sentença de despejo.

Segundo a prefeitura, o plano foi desenhado após estudos técnicos e consultas públicas. Mas os camelôs dizem que não foram ouvidos. O protesto desta quarta-feira (14) reuniu cerca de 300 pessoas, segundo a Guarda Municipal, e bloqueou parcialmente a Avenida Rio Branco por duas horas. A cena se repetiu na Candelária, onde barracas foram montadas sobre o asfalto quente, um gesto de ocupação que é também um grito.

O que o programa da prefeitura propõe

O programa, batizado de "Rio Ordem", tem três pilares: cadastramento biométrico de todos os ambulantes, delimitação de zonas de comércio autorizado e remoção de estruturas fixas em calçadas e vias públicas. A prefeitura afirma que o objetivo é garantir acessibilidade e segurança, e que os camelôs cadastrados serão realocados para feiras itinerantes e mercados populares.

"Não vamos simplesmente retirar as pessoas da rua. Vamos oferecer alternativas dignas de trabalho", disse o secretário municipal de Ordem Pública, em entrevista coletiva no dia 12 de agosto (Prefeitura do Rio, nota oficial, 12/08/2026).

A promessa, porém, esbarra na desconfiança. Muitos camelôs trabalham há mais de dez anos no mesmo ponto e temem que o cadastro exclua quem não tem documentação regularizada, e há muitos nessa situação.

Por que os camelôs estão protestando

As reivindicações são três: 1) suspensão imediata das remoções até que haja negociação; 2) garantia de pontos alternativos na mesma região; 3) compensação financeira para quem perder a mercadoria apreendida. Um dos líderes do movimento, que pediu para não ser identificado, me disse: "A gente não é contra a ordem. A gente é contra ser jogado pra fora do Centro sem nenhum amparo."

A Associação de Camelôs do Rio estima que 12 mil famílias dependem do comércio ambulante no Centro (Associação de Camelôs do Rio, levantamento interno, 2026). O número contrasta com as 4 mil vagas oferecidas nas feiras itinerantes anunciadas pela prefeitura.

O histórico do conflito entre camelôs e prefeitura no Rio

A briga não é nova. Em 2023, a prefeitura já havia removido barracas da Saara, gerando protestos que terminaram em confronto com a Guarda Municipal. Em 2024, uma tentativa de cadastramento foi suspensa por liminar judicial. Agora, o programa "Rio Ordem" tenta retomar o controle com base em um decreto municipal publicado em junho de 2026.

A diferença é que, desta vez, a prefeitura prometeu não usar força policial, apenas notificação e prazo para desocupação voluntária. Na prática, porém, ambulantes relatam que agentes já começaram a apreender mercadorias sem aviso prévio.

O que dizem os especialistas

Urbanistas ouvidos pela imprensa apontam que a solução passa por um plano de transição com prazo estendido e compensação. A professora de políticas públicas da UFRJ, Ana Paula Oliveira, afirmou ao jornal O Globo que "remover sem realocar é empurrar o problema para outras áreas e para a informalidade total" (O Globo, 13/08/2026).

Já a prefeitura rebate dizendo que a ocupação desordenada do Centro inviabiliza o transporte público e prejudica o comércio formal. O debate expõe uma tensão que não se resolve com decreto: o direito ao trabalho versus o direito à cidade.

O que pode mudar nos próximos dias

Uma reunião entre representantes dos camelôs e a Secretaria de Ordem Pública está marcada para segunda-feira, 18 de agosto. A expectativa é que a prefeitura apresente uma contraproposta com prazos mais longos e garantias de realocação. Enquanto isso, o buzinaço continua, e a cidade ouve.

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Perguntas Frequentes

Por que os camelôs estão protestando no Rio?

Eles protestam contra o programa "Rio Ordem", que prevê remoção de barracas do Centro sem garantia de realocação ou compensação.

O que a prefeitura oferece aos camelôs?

Cadastramento biométrico, vagas em feiras itinerantes e mercados populares, mas os ambulantes consideram as alternativas insuficientes.

Quantos camelôs trabalham no Centro do Rio?

A Associação de Camelôs estima 12 mil famílias; a prefeitura ofereceu 4 mil vagas nas feiras.

Quando será a próxima reunião entre camelôs e prefeitura?

Está marcada para segunda-feira, 18 de agosto de 2026.

O protesto afetou o trânsito?

Sim, a Avenida Rio Branco ficou parcialmente bloqueada por duas horas na manhã de 14 de agosto.

Lúcia Hartmann Veloso
Sobre o autor · Cronista de Música e Cena Cultural

Anda show e bar de jazz, escreve sobre música ao vivo e a cena que a cerca.

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